terça-feira, 23 de novembro de 2010

Do status social absoluto e relativo ou da divisão social e preconceito

O status social designa a posição que uma pessoa ocupa na sociedade. Portanto, essa noção só é definida em sociedades que estão divididas em estratos ou castas organizados de forma hierárquica. A distinção entre pobres e ricos vai além da análise econômica por transformar-se, através de categorias psicológicas, numa realidade aparente que podemos chamar de preconceito. Analisemos, portanto, o status social do negro e o preconceito étnico:
Livre de qualquer relação, o status social mede, em sua forma absoluta, nada mais que uma proporção entre os vários estratos que compõem a sociedade. Associando esta noção à proporção entre negros e brancos, dessa mesma sociedade, podemos muni-la de um caráter qualitativo. Fica evidente que, para o negro ocupar o mesmo status absoluto que o branco é necessário haver equivalência entre eles em todos os estratos sociais. A predominância de um ou de outro num desses estratos revelaria uma discrepância, mesmo que o negro gozasse de um status absoluto superior ao do homem branco.
Essa divisão deixa seu caráter puramente econômico e passa a ser étnico, na medida em que constitui o modo de pensar da sociedade, temos assim o status social relativo. O raciocínio humano é, primordialmente, indutivo. Buscamos a partir de casos isolados uma generalização. No país em que vivemos os negros ocupam, majoritariamente, as camadas mais pobres da sociedade. Isso nós evidenciamos no dia a dia. Os mendigos, pivetes de rua, moradores de favela e operários são em sua maioria negros. Jamais abarcaremos toda uma população com observações do dia a dia, mas são essas que servem às nossas generalizações.
A estranheza que temos em ver um negro ocupando um status elevado na sociedade é por estarmos diante de uma exceção. É então que surge o preconceito, como parte de nossa experiência das coisas. Interpretamos a realidade de forma aparente e percebemos isso todas as vezes que as generalizações falham. No entanto, parece não ser o suficiente para deixarmos de raciocinar indutivamente e o status social do negro continua a ser uma generalização, algo relativo.
O preconceito étnico é uma evidência da discrepância na proporção entre negros e brancos nas camadas sociais. Revela-se, assim, a pauperização da população negra. A tendência é que o preconceito resista enquanto a sociedade se mantiver dividida em status. Pois o status em sua forma absoluta serve à sua forma relativa como base para generalizações.

Autor: Alexandre Marques

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