quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fragmento de uma Introdução à Reforma Universitária

Este é um fragmento do projeto...

O Estudante Universitário Atuante na Sociedade:

A finalidade deste projeto está enunciada no seu próprio título – levar o estudante universitário a aplicar o conhecimento acadêmico e desenvolver o método científico, tendo como ponto de partida e objetivo principal a sociedade. No entanto, a proposta não é apenas extrapolar os limites físicos impostos pelos laboratórios e pelos campi universitários, mas também ampliá-los ao máximo dentro desses mesmos limites, buscando o entendimento do próprio termo “universidade”.

Não há, no entanto, intensão alguma de tomar a sociedade simplesmente como “laboratório”, retirando dela apenas dados nescessários para realização de pesquisas, sem que haja retorno para a mesma. Como foi dito, a sociedade é ponto de partida e objetivo principal do projeto. Tudo que for feito tera como princípio contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, retribuindo todo o investimento que ela destina continuamente para a manutenção da Universidade, ao focar os esforços dessa Instituição em sua fonte de “matéria-prima” e garantia de existência, a própria sociedade.

Enumerar formas de levar o estudante a interagir com a sociedade, demonstrando suas aplicabilidades, seria apenas suprir um dos pontos do projeto, reelaborando os sustentáculos da Universidade, que mantêm o “ciclo vital” composto por: pesquisa, ensino e extensão . Portanto, encaminharemos, desde o início, nossa atenção para o alicerce que sustenta e viabiliza esta empreitada – a saber, o princípio que rege a política entre aluno e Universidade, legitimando esta Instituição.

o que difere este de qualquer outro empreendimento de mesma natureza não é o fim almejado, mas o meio utilizado para alcançá-lo. O pensamento de Rousseau é esboçado no fato de que tudo está ligado à política, existindo uma dependência do governo com os costumes que estimula, sendo a sua primeira tarefa formar bons cidadãos, pois a política presupõe uma boa educação. Fica clara a necessidade de associar política e pedagogia. E no contexto desse projeto, evidencia-se como o próprio meio a ser utilizado.

Nada do que propomos aqui é novidade! A Universidade se erigiu sobre uma base(Alunato) na qual se erguem três pilares(Pesquisa, Ensino e Extensão), os quais dão forma e sustentação à Instituição. Esses quatro elementos possuem igual relevância, no entanto vêm sendo tratados de maneira a dar mais importância a uns e esquecendo-se quase que completamente de outros. Diversas iniciativas ja foram tomadas para reconstituir um ou outro desses elementos e inúmeras propostas foram lançadas com a pretensão de chamar a atenção dos responsáveis por sua manutenção. No entanto o problema sempre permaneceu. Simplesmente porque seus componentes são tratados isoladamente, ou seja, elementos que são equivalentes crescem de maneira diferente.

Não precisamos ir até as Pró-Reitorias para buscar formas de "equalizar" essa situação. O próprio Diretório Acadêmico (DA), conquista dos alunos dentro da Universidade, é um exemplo da luta pela melhoria do ensino e reestruturação do sistema Univeritário vigente. Uma grande demostração disto é a iniciativa tomada pelo DA do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da UFRPE. Tomando a frente da organização da Semana do Meio Ambiente da UFRPE, convidou alunos para ministrar cursos de curta duração neste evento e, consequentemente, os engajou na atividade de docência. Isso deu possibilidade para que estes “Alunos-Professores” estendessem a outros discentes o conhecimento que tinham acumulado através de estagios e pesquisas realizados dentro e fora da Universidade. De maneira oposta, o mesmo evento realizado na FAFIRE, pela coordenação do curso de Ciências Biológicas, incluiu na sua lista de minicursos apenas graduados. Isso resultou num mau aproveitamento do potencial de seus próprios alunos, por impedi-los de interagir de maneira mais intensa com a Universidade.

É em situações como está que se percebe o potencial do estudante, através de sua atuação efetiva dentro da Universidade. Muito mais do que simplesmente fazer propostas, o estudante corre atrás do seu objetivo. Podendo muitas vezes realizar feitos mais relevantes do que seus própios coordenadores ou professores, como no caso citado acima. Isso, por que possuem a capacitade de elevar o potencial de suas ações fazendo com que reverberem por toda a universidade através do nivel mais fundamente que a compõe, o Alunato.

Explorando essa força intrincica do estudante, pode-se esperar obter resultados mais relevantes do que dependendo apenas de propostas e ações que venham “de cima”, da cúpula universitaria. É isso que a história vem mostrando, através dos movimentos estudantis. Um exemplo recente da força desse movimento é a lei outorgada pelo Governador de Pernambuco que garante a gratuidade da Universidade de Pernambuco (UPE). Conclui-se a partir disso que, por mais bem intencionada que esteja a Universidade, não pode querer tomar decisões em prol do estudante sem convidá-lo a participar do processo de tomada de decisão. Isso por que o Alunato é a soberania da universidade e a Instituição deve apenas agir de acordo com a vontade geral do alunato, que corresponde exatamente à vontade de cada estudante.

Para tanto, torna-se imprescindível estimular o processo de interação do Alunato com a Universidade. O caminho para isso consiste na aproximação do aluno, como indivíduo, com seu próprio diretório, pois este é o representante no nível mais fundamental do plano de interação Alunato-Universidade. Ou seja, a iniciativa tem que surgir no diretório. Não podemos continuar nos iludindo, e esperar que o aluno vá ao encontro dessa idéia, ou pior que a idéia surja nele. Longe de estar subestimando a capacidade do aluno, atribuio esta condição à estrutura do diretório, que corrompeu sua ideologia, passando a agir individualmente e, consequnetemente, atuando como se fosse o próprio Alunato ao invés de seu representante.

Está é a condição primordial para podermos atingir o objetivo do projeto. Tornar a base da Universidade sólida o suficiente para suportar seus pilares. Ou seja, mobilizar o Alunato, munindo com as noções necessárias cada um dos alunos que o compõe para que estejam preparados para atuar na sociedade. Essa atuação inscrita no ciclo de Pesquisa, Ensino e Extensão funciona não só como um agente de melhoria social, mas também de retroalimentação da Universidade, reabilitando esta Instituição em seu princípio e sendo isto evidenciado em suas próprias ações!

Se teoricamente precisaríamos ter essa base bem estabelecida antes de prosseguir à pesquisa, na prática será necessário iniciar desenvolvendo o projeto em dois níveis. Isso devido ao total descrédito do Alunato nas questões referentes à política na Universidade, obrigando-nos a ter mais do que idéias para mobilizá-los. Precisaremos de fatos! Por tanto, o correto é desenvolver o projeto em pequena escala, pois só depois de concluí-lo nessas proporções é que conseguiremos aderir novos colaboradores. Ao mesmo tempo em que o desenvolvemos nessa proporção mínima, lançaremos a idéia em sua forma máxima com o objetivo de começar a formar os primórdios daquela base sólida, que deve ser tomada como uma condição a priori.

Autor: Alexandre Marques

Um comentário:

  1. Nada melhor pra conhecer pessoas do que "vê-las" falar. O que eu achei mais engraçado foi lembrar que naquela mini reunião na Poli, a maior parte das suas frases eram de questionamento teórico. "Isso que vocês tão tentando já começou há 100 anos". "Vai levar mais 100 pra o que vocês disserem fazer efeito". Basicamente, essas foram suas palavras. Corrija-me em caso de injustiça, por favor. Curiosamente é o que, lendo os 5 posts do blog, você concorda e não só concorda como também tem planos na mesma vertente. Eu acho isso muito bom. Pois sua colocação naquele dia foi apenas uma demonstração dos obstáculos que existem quando nos engajamos nesse tipo de processo. Parece que tudo à nossa volta quer nos fazer desistir, até a vontade de desisitr pode aumentar em momentos de desequilibrio. Por isso a importância da reflexão e Conscientização. Força não é levantar 100kg, mas, após ser golpeado pelo obstáculo, levantar e contorná-lo. O movimento estudantil é apenas mais uma parcela demonstrativa do poder da Conscientização. Sabemos que as grandes Revoluções possuem um início em comum: conscientizar, divulgando o problema à população que lhe interessa(estou desconsiderando os motivos dessas revoluções/ações). A adesão dos ouvintes depende proporcionalmente da Força dos seus líderes. Desejo Força no contínuo exercício de exposição de seus ideais. Abraço
    Bruno Miranda

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