sábado, 5 de junho de 2010

"O estudante universitário atuante na sociedade": Proposta de aprimoramento para o DA (ou CA) - parte 1

Proponho aqui o aprimoramento do diretório acadêmico, como representante e agente mobilizador dos estudantes no nível mais fundamental do plano de interação Alunato-Universidade.
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O limite entre o trabalho em conjunto e a ação individual muitas vezes é confuso, e como tal, atuando daquele determinado modo (em conjunto) acabamos ,por vezes, traindo nossa própria intenção e recaímos sobre o outro. Da mesma maneira pode-se esperar que, agindo sozinhos, acabemos por expandir, ou desencadear, um processo auto-reprodutivo, muitas vezes de dimensões inimagináveis, que será levado adiante por qualquer um que se dispuser a agir de igual forma, “individualmente”.

No ano de 2009 o prêmio Nobel de economia foi destinado a uma cientista norte-americana que provou que o esforço individual para a proteção ao meio ambiente é mais importante que, por exemplo, o de uma indústria. Porém, essa teoria pode ser extrapolada, ou melhor, “plotada” para qualquer outra situação onde exista a mobilização do individuo em prol do “todo” (universo analisado).

Ora, não seria isto “atuar em conjunto”?

Por outro lado, no momento em que um indivíduo aliena parte de seu “poder” de decisão a um grupo restrito de pessoas, tendo estas sido eleitas democraticamente, esse subconjunto representa não mais que uma pequena parcela da unidade à qual pertencia este “poder”.

Ora, ora, ora não seria isto uma “ação individual”?

Dessa forma, a soma das ações individuais pode resultar num esforço conjunto, porem com relativa independência das partes que o compõe. O potencial desse esforço dependeria diretamente do número de indivíduos determinados a por em prática suas idéias, porém apenas um desses já seria o suficiente para promover algum tipo de mudança.

O que torna impossível restringir-se a essa independência é que, por exemplo, toda política gerada através da interação entre o indivíduo (aluno) e uma instituição (universidade) deve ser mediado por um “conselho”, elegível democraticamente, capaz de gerir as idéias e ações de ordem política de um conjunto de elementos relativamente independentes (como exposto anteriormente).

Nesse momento chegamos a um ponto crítico onde se estabelece o processo de transferência daquele “poder de ação independente” para um grupo restrito de pessoas, que muito além de apenas manifestar a opinião e propostas da unidade a que representa irá criar e defender idéias próprias em prol do que ele acha ser de condescendência daquela unidade sem, no entanto, que esta faça parte do processo de tomada de decisão. (unidade refere-se ao universo analisado e o conselho é nada mais que um subconjunto desse universo). Dessa forma, passamos da “atuação em conjunto” para “ação individual”, ou seja, o efeito inverso ao desejado.

A implicação dessa “ação individual” é a diminuição da participação do alunato nas questões referentes às suas próprias necessidades dentro da universidade, ou seja da substituição deste pelo “conselho” na interface do plano de interação Alunato-Universidade, que agora se restringe ao DA-Universidade. (neste e nos próximos exemplos o diretório acadêmico poderá muito bem ser substituído pelo DCE ou o CA).

Essa alienação dá-se, única e exclusivamente, devido ao alto grau de desinformação a que o estudante é submetido pelo seu próprio diretório acadêmico. O aluno, calouro ou veterano, não tem acesso a informações básicas como: o que está sendo feito pelo DA; como posso atuar junto ao DA; quais serão as próximas reivindicações do DA; com relação à gestão anterior o que melhorou; ou até mesmo, onde está quem integra e o que é o DA?

Uma prova disto é o cartaz afixado na parede do restaurante universitário da UFRPE por um certo “Boca de Lobo”, que possuía os seguintes escritos: “Todo movimento que se vê são os de bundas vadias em calouradas vazias.”
Não estamos questionando a existência do movimento estudantil mas sim os sinais dessa existência. Ora, o investimento na divulgação deste movimento poderia muito bem desencadear um processo de propagação dos ideais estudantis através da conscientização de cada aluno, individualmente, que poderia unir-se ou propor idéias ao movimento e, dessa forma, ocasionar sua extensão e aprimoramento.

A partir daí percebe-se a necessidade da fusão dos esforços do diretório acadêmico e o do estudante, como indivíduo, para o resgate da ideologia do próprio diretório como representante e agente mobilizador dos estudantes no nível mais fundamental do plano de interação Alunato-Universidade. Uma ideologia fundamentada na “atuação em conjunto” e, portanto, dependente desse elo indissolúvel que permite o compartilhamento daquele “poder de ação independente”, inerente a cada estudante, sem, no entanto, aliená-lo. Da mesma forma, o estudante garante a propagação de sua “voz política” por toda a universidade através do diretório acadêmico, que representará muito mais que um esboço das necessidades do alunato, tornando-se o seu reflexo perfeito.

Para isso resta-nos responder uma das perguntas à qual o estudante ainda não tem acesso:
“Como posso atuar junto ao diretório acadêmico?”
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Autor: Alexandre Marques

obs: continua...

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